Coerência e coesão nos textos argumentativos dos alunos do ensino médio
Com 30.444 acessos, o artigo de Roberto da Silva (URCA) foi publicado no volume 7, edição especial n.5, que reúne os trabalhos apresentados no I Simpósio de Linguística Textual (2012). O trabalho analisa as produções escritas dos concluintes do Ensino Médio relativas aos fatores de textualidade, coerência e coesão. O autor analisou dez textos argumentativos de alunos de uma escola pública, localizada em Araripe – CE produzidos em um vestibular simulado, promovido pela escola em 2012.
Apoiado em teóricos da Linguística Textual, como Costa Val, Koch, Fávero e Travaglia, a pesquisa verificou os usos que “os alunos fizeram dos fatores de textualidade através da análise das condições de continuidade, progressão, não contradição e articulação no nível da coerência e da coesão; e sua importância para o estabelecimento do sentido pretendido pelo produtor e para a recuperação deste pelo leitor”. Os resultados mostraram, quanto à coerência, que:
- 60% dos textos ferem a condição de continuidade, ou seja, não fazem a adequada retomada de conceitos e ideias conferindo unidade ao discurso.
Em muitos casos, os alunos se enclausuram em torno de uma afirmação e não conseguem dar continuidade às ideias apresentadas. Eles não conseguem retomar essas ideias no decorrer do texto e acrescentar novos comentários a respeito delas, fazendo o texto progredir (Silva, 2012, p.72)
- 90% ferem a progressão e não contradição, o que significa que os textos não acrescentam informações novas aos elementos retomados e usam ideias que se excluem. Isso acontece, em geral, por desconhecimento do vocabulário.
(ele) tenta se expressar com palavras que não conhece e acaba por transmitir uma ideia que não é aquela pretendida por ele; consequentemente, fere a coerência do texto no que se refere à não contradição interna e externa (Slva, 2012, p.72)
Quanto à coesão, a pesquisa mostrou que os textos produzidos apresentam problemas em relação ao foco discursivo, pois há mistura da primeira e a terceira pessoas; há retomadas inadequadas, uso de pronomes indefinidos, omissão de complementos verbais e desvios de concordância, que dificultam a compreensão do sentido do texto.
Em suma, os dados analisados mostram problemas no âmbito da coerência e coesão que variam de 100% (articulação do texto) a 30% (uso do léxico e retomadas de elementos já apresentados), o que aponta para a necessidade de um trabalho sistemático com a produção de textos.
Serviço
Artigo integral: Coerência e coesão nos textos argumentativos dos alunos do ensino médio
Outros artigos sobre o mesmo tema:
- A coesão nominal em livros didáticos do ensino médio: uma análise à luz do Interacionismo Sociodiscursivo – v.8, n.1, 2018
- A construção referencial no ensino de escrita em turmas de EJA – v.7, n.5 (especial), 2017
- Dos objetivos da linguística de texto à articulação textual: a busca pela coerência do texto e do ensino de língua materna – v.2, n.2, 2012