Uso de fontes de pesquisa na escrita de artigos científicos de pesquisadores experientes

Danielyson Yure de Queiroz Valentim, José Evaristo de Paiva Neto, José Cezinaldo Rocha Bessa

Resumo


Com a acelerada expansão das tecnologias digitais na nossa sociedade e sua presença/inserção no meio educacional e/ou acadêmico-científico, surge, no contexto universitário, uma preocupação quanto à capacidade de localizar, selecionar, avaliar, sintetizar e citar fontes externas na escrita científica, constituindo-se, pois, tal capacidade um elemento-chave do letramento acadêmico (BURTON; CHADWICK, 2000). Compartilhando dessa preocupação, buscamos, no presente trabalho, examinar como pesquisadores experientes mobilizam fontes externas na escrita dos textos científicos que produzem, focalizando, mais especificamente, aspectos como quantidade de fontes citadas, veículo de publicação, língua de publicação e ano de publicação. Fundamentados em trabalhos sobre letramento acadêmico, uso de fontes de pesquisa e práticas citacionais desenvolvidos por estudiosos como Burton e Chadwick (2000), Pecorari (2003, 2006, 2015), McClure e Clink (2009) e Howard, Serviss e Rodrigue (2010), dentre outros, realizamos uma análise descritivo-exploratória de um conjunto de 10 artigos científicos de pesquisadores experientesdo domínio da Linguística coletados em um periódico científico dessa área. Os resultados indicam que a condição de expertise e a familiarização com práticas de letramento corroboram para que pesquisadores experientes revelem uma escrita científica (mais) ajustada, quanto à seleção e uso de fontes de pesquisa, a convenções estabelecidas no universo científico e em sua cultura disciplinar.


Palavras-chave


Uso de fontes. Letramento acadêmico. Pesquisadores experientes.

Texto completo:

PDF

Referências


ALVES, W. M.; BESSA, J. C. R. Orientações para escrita da redação do ENEM em vídeos do Youtube. Hipertextus Revista Digital, v. 19, p. 1-23, 2018.

ANDRÉ, M. E. D. A. de. Etnografia da prática escolar. 6. ed. Campinas: Papirus, 1995.

BATTESTIN, C.; DUTRA, J. C. Aonde vamos com tanta pressa? Os entraves do produtivismo acadêmico. Diálogo das Letras, v. 8, n. 2, p. 2-17, 2019.

BAZERMAN, C. El descubrimento de la escritura acadêmica. In: NAVARRO, F. (Coord.). Manual de escritura para carreras de humanidades. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Editorial de la Facultad de Filosofía y Letras Universidad de Buenos Aires, 2014. p. 11-16.

BERNARDES, S. M. F. D.; CATELÃO, E. de M. Tecnologias da informação e comunicação: transformando nossos hábitos institucionais de ensinar e aprender. Diálogo das Letras, v. 5, n. 2, p. 266-283, 2016.

BERNARDINO, R. A. dos S.; NASCIMENTO, D. P.; QUEIROZ, L. S. Estratégias de parafraseamento nas retomadas não literais do discurso alheio em texto acadêmico. In: SILVA, F. V.; OLIVEIRA, H. A. G. (org.). A escrita no ensino superior: saberes, métodos e gêneros. São Carlos: Pedro e João, 2018. p. 109-140.

BESSA, J. C. R. Dialogismo e construção da voz autoral na escrita do texto científico de jovens pesquisadores. 2016, 385 f. Tese (Doutorado em Linguística e Língua Portuguesa) — Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Araraquara, 2016.

BESSA, J. C. R. Formas de presença da palavra alheia em artigos científicos de jovens pesquisadores. Revista Trama, v. 13, p. 143-178, 2017.

BESSA, J. C. R.; BERNARDINO, R. A. S. Equívocos em torno da escrita: o caso das dicas de produção de textos em vídeos do YouTube. Domínios de Lingu@gem, v. 11, p. 174, 2016.

BOCH, F. Former les doctorants à l’écriture de la thèse en exploitant les études descriptives de l’écrit scientifique. Linguagem em (Dis)curso, Tubarão, SC, v. 13, n. 3, p. 543-568, set./dez. 2013.

BURTON, V. T.; CHADWICK, S. A. Investigating the practices of student researchers: patterns of use and criteria for use of internet and library sources. Computers and Composition, v. 17, n. 3, p. 309–328, 2000.

COSCARELLI, C. V. A leitura em múltiplas fontes: um processo investigativo. Ensino e Tecnologia em Revista, v. 1, p. 67-79, 2017.

DEMO, P. O educador e a prática da pesquisa. Ribeirão Preto: Alphabeto, 2009.

DINIZ, D.; TERRA, A. Plágio: palavras escondidas. Brasília: Letras Livres; Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2014.

ECO, U. Como se faz uma tese. Tradução de Gilson Cesar Cardoso de Souza. 25. ed. São Paulo: Editora Perspectiva, 2014.

FINARDI, K. R.; FRANÇA, C. O inglês na internacionalização da produção científica brasileira: evidências da subárea de Linguagem e Linguística. Intersecções, v. 9, n. 19, p.234-250, 2016.

FIORIN, J. L. Internacionalização da produção científica: a publicação de trabalhos de Ciências Humanas e Sociais em periódicos internacionais. Revista Brasileira de Pós-Graduação, v. 4, n. 8, 11, p. 263-281, 2007.

GOLDMAN, S. R. et al. Comprehending and learning from Internet sources: processing patterns of better and poorer learners. Reading research quarterly, v. 47, n. 4, 356 – 38, 2012.

HYLAND, K. Writing in the disciplines: research evidence for specificity. Taiwan International ESP Journal, v. 1, n. 1, p. 5-22, 2009.

HOWARD, R. M., SERVISS, T.; RODRIGUE, T. K. Writing from sources, writing from sentences. Writing and Pedagogy, v. 2, p. 177–192, 2010.

JAMIESON, S. The evolution of the Citation Project: lessons learned from a multi-year, multi-site study. In: SERVI, T.; JAMIESON, S. (eds.). Points of departure: rethinking student source use and writing studies research methods. Utah: Utah State University Pres, 2018, p. 33-61.

KERSCH, D. F.; MARQUES, R. G. Redes sociais digitais na escola: possibilidades de conexão, produção de sentido e aprendizagem. Diálogo das Letras, v. 6, n. 2, p. 343-362, jul./dez. 2017.

LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em ciências humanas. Tradução de Heloísa Monteiro e Francisco Settineri. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.

LATOUR, B. Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

LEFFA, V. J. As tecnologias digitais e seus enigmas: uma entrevista com Vilson Leffa. Entrevista realizada por Raquel Recuero e Francisco Vieira da Silva. Diálogo das Letras, v. 0, n. 2, p. 363-368, jul./dez. 2017.

MCCLURE, R; CLINK, K. How do you know that? An investigation of student research practices in the digital age. Libraries and the Academy, v. 9, n.1, p. 115 - 132, 2009.

MORAN, J. M. Como utilizar a internet na educação. Ci. Inf. v. 26 n. 2, p. 1-8, 1997.

MOTTA-ROTH, D.; HENDGES, G. R. Produção textual na universidade. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.

NAVARRE, M. Penser par soi-même. Apresentação de dossiê. Sciences humaines, n. 323, mar. 2020. Disponível em: https://www.scienceshumaines.com/penser-par-soi-meme_fr_41968.html.Acesso em: 20 fev. 2020.

PECORARI, D. Good and original: plagiarism and patchwriting in academic second-language writing. Journal of Second Language Writing,v. 12, p. 317–345, 2003.




DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321-21833

Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Entrepalavras © 2012. Todos os direitos reservados.
Av. da Universidade, 2683, Benfica, CEP 60020-180, Fortaleza-CE | Fone: (85) 3366.7629
Creative Commons License
Entrepalavras (ISSN: 2237-6321) está licenciada sob Creative Commons Attribution-NonCommercial 3.0.