O erotismo nos quadrinhos: ferramenta artística, política e social

Luiza Oliveira de Menezes, Fernanda Alves de Morais Lima

Resumo


Os quadrinhos, nas últimas três ou quatro décadas, vêm-se firmando como linguagem propícia não apenas para a produção de entretenimento, mas também para a veiculação de histórias com densidade psicológica, problematizadora de questões sociais, políticas e estéticas. Assim, conteúdos ligados às práticas sexuais passam também a ser encarados de um modo diferenciado. Se os quadrinhos, anteriormente, traziam o sexo apenas como adorno das histórias, enveredando frequentemente para a pornografia pesada, obras mais recentes têm apostado em abordagens do sexo com real significado nas narrativas em questão. É o caso de Bórgia, obra em quatro volumes escrita por Jodorowsky e desenhada por Manara, este um artista considerado referência quando se trata de quadrinhos eróticos. Dessa forma, este trabalho tem por objetivo analisar brevemente a evolução do conceito de erotismo nos quadrinhos ocidentais, tratando especificamente da já citada obra Bórgia. Para tanto, empregamos os conceitos de erotismo nos quadrinhos desenvolvidos por Calazans (1998; 2004), bem como transpomos para a análise dos quadrinhos conceitos em torno do erotismo de outras linguagens, como a literatura, segundo análise de Alexandrian (1993), e o cinema, na abordagem de Abreu (1996). Concluímos, assim, que os quadrinhos marginalizam a obscenidade e investem em abordagens mais sofisticadas do erotismo à medida que a linguagem dos quadrinhos em si ganha respeitabilidade como manifestação artística, fenômeno sociocultural somente verificado nos fins do século XX e ainda em andamento.


Palavras-chave


Milo Manara; quadrinhos; crítica social; arte.

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DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321.5.5.3%20esp.269-278

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