O mostrar-se erótico da linguagem: a construção do etos em Asfalto Selvagem, de Nelson Rodrigues

Juliane de Sousa Elesbão

Resumo


Esta pesquisa procura observar o etos erótico que predomina na obra Asfalto Selvagem, publicada em 1960, do escritor Nelson Rodrigues. Objetiva-se analisar como os anseios sexuais são representados por esse tipo de discurso, como perversões contribuem para definir uma autoidentidade e de que modo os perfis eróticos, traçados pelo autor, conferem certo realismo quando tratados com profundidade numa reflexão sobre a natureza humana. Para tanto, no que diz respeito à análise linguística, toma-se como aporte teórico a categoria etos, ou ethos, resgatada da Antiguidade Clássica pela linha investigativa da Análise do Discurso de linha francesa, especificamente em estudos de Dominique Maingueneau (2001; 2002; 2008a; 2008b; 2010). Ao lado do teórico francês citado, estão Amossy (2005), Foucault (2009), para citar alguns. Esta pesquisa move-se também por discussões sobre o autor e o romance em relação ao contexto sócio-histórico no qual estão inseridos. Entende-se que Asfalto Selvagem parece ser um esboço do “retrato moral” da sociedade burguesa carioca das décadas de 1950 e 1960 e, para basilar tal leitura, este trabalho vale-se de Castro (1988). Na reflexão sobre a sexualidade e o erotismo nas sociedades modernas, lança-se mão de Reich (1968; 1986), Giddens (1993), entre outros. A partir de então, pode-se parcialmente concluir que Nelson Rodrigues questiona paradigmas e estereótipos do comportamento social através da eroticidade manifestada em sua linguagem ambígua e libertina, e o etos forjado desmonta as máscaras sociais denunciadas pelo autor.

Palavras-chave


Análise do Discurso; Etos; Erotismo.

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DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321.5.5.3%20esp.24-39

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