O ethos de um legado

Yuri Andrei Batista Santos

Resumo


No entrecruzamento entre reflexões provenientes das teorias do discurso, de argumentação e da literatura, o objetivo deste trabalho é apresentar uma análise discursivo-argumentativa no paratexto da obra autobiográfica Em nome dos pais, de Matheus Leitão (2017), com vistas a analisar traços de sua dimensão argumentativa. Temos por enfoque principal de nossa análise a construção do ethos na escrita autobiográfica, considerada em sua relação intrínseca com o auditório social subjacente à situação de interação discursiva descrita. Partimos da premissa de que o ethos do autor pode ser depreendido por meio da análise da materialidade linguística em relação com sua dimensão composicional e arquitetônica, considerando-se, dessa forma, as condições linguísticas e extralinguísticas circunscritas a determinado dizer. Como marco teórico-metodológico, mobilizamos as reflexões de Amossy (2018) para a análise discursivo-argumentativa e os princípios da metalinguística bakhtiniana, bem como as considerações de Viart e Vercier (2008), Santos e Torga (2020) e Santos (2020) em torno da narrativa de filiação e a materialidade autobiográfica. Observamos, dentre outras coisas, como o ethos desempenha um critério de confiabilidade do relato autocentrado nas margens da escrita autobiográfica e como, no caso específico discutido, o ethos enfatiza o legado do qual o narrador é portador.


Palavras-chave


Dimensão argumentativa. Metalinguística bakhtiniana. Autobiografia.

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DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321-22083

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