Regularidades e dispersões no discurso de Oprah Winfrey

Fabiane Lemes, Giselly Tiago Ribeiro Amado, Isabella Zaiden Zara Fagundes

Resumo


Neste artigo, objetivamos analisar o discurso de Oprah Winfrey na premiação do Globo de Ouro, em 2018, a fim de compreender como se estabelece o lugar de fala da mulher negra a partir das posições-sujeito constituídas pelas regularidades e dispersões em movimento. Para tanto, nosso embasamento é nos pressupostos teórico-metodológicos da Análise de Discurso aliados aos construtos de Michel Pêcheux, no que tange ao funcionamento discursivo, e nos estudos arquegenealógicos de Michel Foucault, mobilizando alguns conceitos como relações de poder, interdição, objetivação, subjetivação. A essa base referencial teórica, articulamos as condições de produção do discurso de Oprah atravessado constantemente pelas relações de poder. Analisamos, portanto, os elementos que nos permitem compreender o deslocamento da mulher negra, no que tange à marginalização, à segregação racial, ao racismo e aos atos de extrema violência, dando ênfase à violência sexual. Consideramos o discurso de Oprah como um lugar do mesmo, pelas regularidades, e da ruptura, pelas dispersões.


Palavras-chave


Relações de poder. Efeitos de sentidos. Mulher negra.

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DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321-31932

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