Ironias em Quincas Berro Dágua

Éverton de Jesus Santos

Resumo


No estudo da comicidade, a ironia aparece como um dos procedimentos mais eficazes da linguagem, sendo percebida, de acordo com o senso comum, como o tropo segundo o qual se consegue dizer o contrário daquilo que se diz. Acrescentando a esta perspectiva outras mais objetivas e plausíveis que percebem a ironia com funções mais específicas como o rebaixamento de comportamentos e a revelação de vícios, tentaremos compreender como o procedimento irônico se processa por entre as tiradas engenhosas do narrador do romance A morte e a morte de Quincas Berro Dágua (1983), do baiano Jorge Amado. Desse modo, adentrando a trama, ver-se-á como a família do morto Quincas (outrora Joaquim) se mostra cada vez mais ridícula devido à narração e à apresentação dos fatos que o narrador, intencional e sorrateiramente, expõe. Para embasar o nosso estudo, traremos argumentos de Muecke (1995), de Jankelévitch (1986), de Duarte (2006), de Bergson (2007) e de Jolles (1976) acerca da ironia, além da compreensão de Freud (1977) e de Cerqueira (1977) sobre essa temática. Nosso objetivo consiste em identificar e analisar passagens em que o narrador onisciente intruso do romance citado demonstre o tratamento irônico que é relegado à família por ela tentar criar um véu de integridade que mascara a vaidade e os erros do passado.

Palavras-chave


Ironia; Narrador; Jorge Amado.

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DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321.3.3.1.109-126

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