Greve do magistério estadual do RS em 2017: a polêmica e a representação do professor por meio do argumento ad hominem

Fernanda Vanessa Machado Bartikoski, Maria Eduarda Giering

Resumo


Na Retórica aristotélica e nos estudos da Nova Retórica, de Perelman e Olbrechts-Tyteca (2014), o objetivo da argumentação era a adesão dos espíritos: o orador deveria, junto ao seu auditório, buscar o consenso. Na sociedade atual, no entanto, essa intenção dá espaço ao cultivo da polêmica, caracterizando o que Amossy (2017a; 2017b) denomina de retórica do dissenso. Para apresentar sua opinião, algumas pessoas recorrem a argumentos ad hominem, atacando a pessoa do seu adversário, e não seus argumentos (FIORIN, 2015). Diante disso, este artigo analisa a polêmica instaurada durante a greve dos professores estaduais gaúchos, em 2017. Procuramos estudar como leitores-comentaristas do Portal G1 RS construíram seus discursos, por meio de argumentos ad hominem, e ainda apontar possíveis representações que esses leitores tinham dos professores grevistas. Dos 44 comentários coletados, 15 apresentam argumentos ad hominem. Destes, 3 foram analisados neste artigo. A análise foi organizada em duas partes: (1) análise dos comentários com base na definição do discurso polêmico (AMOSSY, 2017b); (2) categorização dos 15 comentários, para expressar a representação que os leitores tinham dos professores grevistas. Os resultados apontam que o ataque à pessoa dos professores pode ser enquadrado em duas perspectivas: (1) parte dos leitores atribuem aos docentes o papel de militantes, principalmente de esquerda; (2) a outra parte entende que os professores têm comportamentos inadequados. Em suma, percebeu-se que os comentários, num discurso de dissenso, levantaram uma série de acusações para deslegitimar as reivindicações do magistério gaúcho. 


Palavras-chave


Discurso polêmico. Argumento ad hominem. Greve do magistério estadual.

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Referências


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DOI: http://dx.doi.org/10.22168/2237-6321-11377

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